O Atelier do Antigo Matadouro foi assim denominado no final dos anos 70, por Alberto Cidraes e Maria Estrela Vieira depois da saída de Cunha dos outros membros do grupo do Matadouro. Este grupo utilizava desde 1975 o ex-Matadouro de Cunha como atelier de cerâmica. Toninho e Vicco saíram em 76, Mieko em 77 e Toshiyuki em 78.

Sob a sigla AAM a dupla expôs seu trabalho conjunto até 87, ano em que saíram do Brasil. A partir de 79 a Prefeitura de Cunha começou a reivindicar a devolução do imóvel baseada na visão de que ele estava não mais sendo ocupado por um grupo de artistas mas por uma família.

O atelier terminou finalmente se mudando, em 84 para o Cajuru, onde fica atualmente. Mas Cidraes e Estrela decidiram manter o nome do atelier. Construiram o novo forno com os tijolos do forno original e continuaram com a estrutura e processos de trabalho utilizados no Matadouro, usando argilas e materiais locais e queimando em forno Noborigama com lenha de eucalipto também local.
Pretendiam com isso dar sequência ao espírito original do grupo do Matadouro, se reconhecendo na semente que tinha sido plantada em 75.

De 1987 a 2002, ano em que Cidraes voltou para o Brasil, o AAM ficou inativo. No atelier ficou estocado barro suficiente para uma ou duas queimas, envelhecendo como um bom vinho durante 15 anos. Com este barro foram feitas as peças do final de 2002 e início de 2003.

Na volta, Cidraes tinha na memória o espírito inicial do Matadouro, o pioneirismo de enfrentar contratempos e se adaptar a condições menos favoráveis, usando a intuição e o improviso.

A escolha, em 78, do logotipo com um "M" cortado, formando ao mesmo tempo dois "As" de "atelier do antigo", significou um exorcismo contra a morte como objetivo original no edifício do matadouro, exaltando a nova vida que surgia em peças únicas de cerâmica. A existência do logotipo, associado desde os anos 70 ao trabalho de Cidraes o levou também a não alterar e pelo contrário entronizar o nome do atelier quando voltou em 2002.

Em relação a conteúdo e processo de trabalho Cidraes optou pela experimentação casual na forma, no desenho e na utilidade das peças e pelo minimalismo na técnica e nos materiais, estes quasi sempre de origem local.

O Atelier do Antigo Matadouro carrega o testemunho do que aconteceu nos anos formativos de Cunha como pólo de cerâmica de autor. Isso pode ser visto como um privilégio e também como uma responsabilidade.